Deixa chover

Dias de chuva virão, eu sei. O céu vai nublar e minha única vontade vai ser ficar em casa, deitada, sem acreditar que algo bom possa acontecer. Mas eu prometo não me deixar abalar. Vou tomar banho de chuva. Comprar uma sombrinha com bolinhas amarelas. Calçar uma galocha com gliter e correr pelas poças d’agua. Vou entender que muita coisa precisa ser lavada mesmo. E vou abrir a tampa do ralo para que ela escorra, vá embora. Quando o sol vier outra vez eu estarei limpa, nova, pronta. Eu prometo que sim. Nem chuva, nem vento, nem nuvens escuras. O sol vai voltar, amanhã, eu sei.

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Sobre ter chegado aos vinte e cinco

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Para quem não sabe, completei 25 primaveras no dia 01 desse mês lindo e florido que é outubro ! ~ balões subindo! ~ hahaha
Nos últimos 3 ou 4 anos vinha sofrendo com uma mega depressão pré aniversário. Todo ano era a mesma coisa, uma semana antes eu ficava muito bad, as minhocas da minha cabeça faziam uma mega festa. Eram sempre milhões de questionamento sobre para onde eu estava levando minha vida, que eu já estava velha demais para não ter isso ou aquilo ainda, que estava velha demais para fazer isso ou aquilo, enfim, eu dava uma pirada geral! Meu humor ficava péssimo até o dia do aniversário chegar e eu pudesse comemora-lo (Sou Aloka dos aniversários. Sempre preciso comemorar de alguma forma. Comigo não tem dessa “de não quero fazer nada”).

Esse ano eu já estava preparada esperando a bad chegar, mas ela não apareceu! Confesso que até o último dia ainda trabalhei o psicológico para o caso de uma maré de tristeza invadir o meu dia. Mas nada de bad! Tnks God! Cheguei aos 25 muito animada e feliz! Talvez muito mais louca, mais cansada, mais sem paciência, mas mais feliz!
Claro que os milhões de questionamentos ainda atormentam minha cabeça e acho até que hoje eles já sejam bilhões. O que tenho feito de realmente produtivo na minha vida? Será que não estou velha demais para querer começar algo do zero? Preciso casar agora? Porque não tenho nenhum bem material expressivo? E se eu quiser desistir? Meu trabalho é valorizado? É isso mesmo que eu quero pra minha vida?
Minha cabeça gira e eu ainda não consegui parar e colocar os pensamentos no lugar. Sei que tenho muita coisa para mudar nesses vinte e cinco e que precisa ser agora pois aos vinte e seis realmente pode ser tarde. Talvez esses vinte e cinco tenham chegado assim sereno – igual na música do los Hermanos – para que eu entenda que não tenho mais idade para ficar parada chorando, que o tempo realmente está passando rápido, que eu preciso começar firme e mudar tudo que puder, agora. Recomeçar, recontar, reciclar, sair, abandonar aquilo que não dá mais e buscar algo melhor. Mudar o cabelo de novo, aumentar as tatuagens, comprar um skate e andar. Tirar as roupas velhas do guarda roupa e doá-las. Colocar combustível nos projetos que já estão caminhando e tirar os outros do papel. Fazer, acontecer. Acreditar mais em mim! Me entregar mais, viver mais, estar mais ainda na presença de Deus.

Acredito muito em propósitos e sei que nada na vida da gente acontece em vão. Talvez o 25 tenha chegado assim, tranquilo e leve porque vem um tsunami por aí. Mas quer saber? Eu não estou com medo do que está por vir.

Quando eu aprendi o que é saudade

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Eu pensei saber o que era saudade, achei que desde pequena eu já sentia. Tinha saudade dos coleguinhas da escolinha quando eu estava de férias. Saudades dos meus pais quando eu ia dormir na casa dos tios. Fui crescendo e a saudade se tornou algo mais presente. Tinha saudades das amigas que mudavam de colégio, saudades dos primos que não se encontravam mais com tanta frequência para brincar, saudades daquela paixãozinha que não deu certo…
Uma vez, um grande amigo mudou-se para Cuiabá. Eu já entendia que aquilo não seriam férias e que pela distância não o veria mais com muita frequência. Eu achava que conhecia a saudade, mas essa foi a primeira vez que a saudade gerou um incômodo ruim.
Depois de um tempo coloquei pra mim que a saudade era reversível, que bastava a gente tomar uma atitude de procurar e falar com a pessoa. O incômodo da saudade era opcional. Mais uma vez eu pensei que sabia.
Um dia, exatamente em um 21 de agosto, eu descobri que estive enganada esse tempo todo. Eu não consegui no dia parar para pensar onde meu entendimento por saudade era falho, mas eu tinha a certeza ~uma certeza que doía cruelmente ~ que dali pra frente eu ia conhecer a verdade. Dessa vez eu acertei.
Dia após dia fui aprendendo o que realmente é a saudade, uma saudade cruel, que não incomoda mas DÓI! Dói de verdade, machuca, sufoca. Eu nada podia fazer para reverter a situação. Nenhuma ligação funcionaria, nenhuma visita, nenhuma sorte ocasionaria um encontro despretensioso. Minha única alternativa era abraçar a saudade e aprender a conviver com ela. Mas não era fácil assim. Não dá pra abraçar algo que te machuca, algo que te faz sofrer. Foi quando eu resolvi que era melhor brigar.
Dia após dia eu lutei, sabia que não iria destruí-la, mas eu precisava vencê-la. E como eu lutei. Me deram armas munidas de palavras de consolo. Me deram escudos feitos de diagnósticos médicos e explicações científicas mas nada me ajudou de verdade. Eu lutei com ela sozinha, lutei com lágrimas e coração!

Exatamente seis anos depois, eu não a destruí nem a venci. No meio de lutas e lágrimas, algum dia eu a abracei. Não sei bem quando foi.
Hoje consigo conviver com a saudade mesmo que vez ou outra ela me machuque. Quando dói eu me apego as lembranças boas. Fecho os olhos e em silêncio tenho certeza que posso escutar assobios vindo da horta logo de manhã cedo. Vez ou outra consigo sentir o cheirinho do protetor solar especialmente manipulado para uma pele bem branquinha que era o primeiro cheiro que eu sentia ao acordar. Não sara, mas distrai. Consola. A saudade deveria ser assim, apenas uma coleção de boas lembranças. Talvez algum dia eu consigo que seja.

Cada um acredita em uma coisa à respeito do fim. Eu acredito que muito em breve haverá um reencontro, mas não aqui, nessa terra. Acredito nos planos maiores de Deus. Acredito que conheci a saudade e que ela às vezes machuque para que não nos esqueçamos dos ensinamentos que ficam quando alguém especial se vai. Minha fé é um exemplo disso, talvez minha saudade machuque para que eu me lembre os caminhos que devo seguir até que nos encontremos na presença de Deus.

Mas que a saudade de verdade dói, ahh! isso dói!
Saudades vó ❤

Recomeços

Perdemos muito tempo esperando que algo se encerre para que possamos recomeçar.
Essa é uma lógica que peca ao nos forçar levar em frente o que nem queremos que chegue ao final. Talvez por já ter feito mal o suficiente, ou talvez por não ter forças ou motivos para continuar.
Dizem por aí que são covardes aqueles que desistem no meio do caminho. Não, não são. Covardes são os que prolongam o sofrimento. Os que se acomodam com o falho.
Parar é entender que você ainda tem forças para começar tudo de novo. Recomeçar é se dar outra chance. Seja fazendo o mesmo caminho com outros passos, seja buscando novos caminhos.

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