Quando eu aprendi o que é saudade

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Eu pensei saber o que era saudade, achei que desde pequena eu já sentia. Tinha saudade dos coleguinhas da escolinha quando eu estava de férias. Saudades dos meus pais quando eu ia dormir na casa dos tios. Fui crescendo e a saudade se tornou algo mais presente. Tinha saudades das amigas que mudavam de colégio, saudades dos primos que não se encontravam mais com tanta frequência para brincar, saudades daquela paixãozinha que não deu certo…
Uma vez, um grande amigo mudou-se para Cuiabá. Eu já entendia que aquilo não seriam férias e que pela distância não o veria mais com muita frequência. Eu achava que conhecia a saudade, mas essa foi a primeira vez que a saudade gerou um incômodo ruim.
Depois de um tempo coloquei pra mim que a saudade era reversível, que bastava a gente tomar uma atitude de procurar e falar com a pessoa. O incômodo da saudade era opcional. Mais uma vez eu pensei que sabia.
Um dia, exatamente em um 21 de agosto, eu descobri que estive enganada esse tempo todo. Eu não consegui no dia parar para pensar onde meu entendimento por saudade era falho, mas eu tinha a certeza ~uma certeza que doía cruelmente ~ que dali pra frente eu ia conhecer a verdade. Dessa vez eu acertei.
Dia após dia fui aprendendo o que realmente é a saudade, uma saudade cruel, que não incomoda mas DÓI! Dói de verdade, machuca, sufoca. Eu nada podia fazer para reverter a situação. Nenhuma ligação funcionaria, nenhuma visita, nenhuma sorte ocasionaria um encontro despretensioso. Minha única alternativa era abraçar a saudade e aprender a conviver com ela. Mas não era fácil assim. Não dá pra abraçar algo que te machuca, algo que te faz sofrer. Foi quando eu resolvi que era melhor brigar.
Dia após dia eu lutei, sabia que não iria destruí-la, mas eu precisava vencê-la. E como eu lutei. Me deram armas munidas de palavras de consolo. Me deram escudos feitos de diagnósticos médicos e explicações científicas mas nada me ajudou de verdade. Eu lutei com ela sozinha, lutei com lágrimas e coração!

Exatamente seis anos depois, eu não a destruí nem a venci. No meio de lutas e lágrimas, algum dia eu a abracei. Não sei bem quando foi.
Hoje consigo conviver com a saudade mesmo que vez ou outra ela me machuque. Quando dói eu me apego as lembranças boas. Fecho os olhos e em silêncio tenho certeza que posso escutar assobios vindo da horta logo de manhã cedo. Vez ou outra consigo sentir o cheirinho do protetor solar especialmente manipulado para uma pele bem branquinha que era o primeiro cheiro que eu sentia ao acordar. Não sara, mas distrai. Consola. A saudade deveria ser assim, apenas uma coleção de boas lembranças. Talvez algum dia eu consigo que seja.

Cada um acredita em uma coisa à respeito do fim. Eu acredito que muito em breve haverá um reencontro, mas não aqui, nessa terra. Acredito nos planos maiores de Deus. Acredito que conheci a saudade e que ela às vezes machuque para que não nos esqueçamos dos ensinamentos que ficam quando alguém especial se vai. Minha fé é um exemplo disso, talvez minha saudade machuque para que eu me lembre os caminhos que devo seguir até que nos encontremos na presença de Deus.

Mas que a saudade de verdade dói, ahh! isso dói!
Saudades vó ❤

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6 comentários sobre “Quando eu aprendi o que é saudade

  1. Saudades dói de mais, principalmente quando você tem a certeza que nunca mais vai poder sentir aquele abraço, aquele beijo, aquela bronca que te deixava irritada.
    Aquele sentimento que não fez tudo pela pessoa, ou desmontrou tudo. Mas realmente o único remédio é aprender a conviver com ela, as vezes dói mais, outros dias dói menos e assim vamos seguindo nossas vidas.

    Beijos, Love is Colorful

    Curtido por 1 pessoa

  2. Camila, que post mais lindo ❤ Eu confesso que as vezes sofro por antecipação, pensando nesses dias que terei que abraçar a saudade sem conseguir fugir dela… a gente não tem como evitar, né? Pelo menos conseguimos nos refugiar nas nossas lembranças pra amenizar um pouco 🙂
    :**

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  3. Juro que fiquei arrepiada com o texto! 🙂 Concordo que cada um acredita à respeito do fim… Eu duvidava até pouco tempo, confesso. Porém tive uma confirmação do reencontro, de uma maneira bem estranha… Hoje tenho mais certeza do que nunca, e isto de um modo me conforta, um pouco.

    Grande beijo!

    Curtido por 1 pessoa

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